Luciana Genro

Agropecuária

Conforme apresentado na seção Finanças e Economia, a agropecuária é responsável por 9,4% do Valor Adicionado Bruto gaúcho. Quando se considera todo o agronegócio, incluindo os serviços e a indústria associada à produção primária (de insumos agrícolas a máquinas e alimentos), é possível estimar que a participação sobre o PIB estadual chegue a 40,6%.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Rio Grande do Sul é o quarto maior exportador de produtos agropecuários do país. Em 2017, o Estado gerou receitas de US$ 11,6 bilhões, ou 12,1% do total nacional de US$ 96 bilhões no período. Ou seja, a agropecuária é um dos temas principais para o Rio Grande do Sul.

EMPREGO NO SETOR AGROPECUÁRIO

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged), o Rio Grande do Sul tinha 84 mil trabalhadores formais no setor agropecuário (incluindo apenas agricultura, pecuária, extração vegetal, caça e pesca) em junho de 2018. Isso representa uma queda de 3,5% em relação à posição de 1º de janeiro, que era de 87,1 mil trabalhadores.

Os anuários do Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), também do Ministério do Trabalho, oferecem uma visão mais ampla do emprego formal, mas o mais recente disponível refere-se a 2016. No fim de 2016, eram 85,7 mil trabalhadores formais no campo no Rio Grande do Sul, ou 1,9% a mais do que em junho de 2018. O contingente equivalia ainda a apenas 2,9% de todos os trabalhadores formais no Estado, que somavam 2,911 milhões no período.

O segmento é majoritariamente masculino, pois 82,6% dos 85,7 mil trabalhadores na agropecuária (ou 70,7 mil deles) eram homens. Além disso, a remuneração no setor é uma das mais baixas da economia. No fim de 2016, os assalariados da agropecuária recebiam o segundo menor salário médio no Estado: R$ 1.860 por mês.

Eles ficavam à frente apenas do comércio varejista, que pagava R$ 1.823, e perdiam por pouco para a indústria calçadista, que pagava R$ 1.864. A média geral de todos os setores no Estado naquele período era de R$ 2.830, ou quase R$ 1 mil a mais do que recebiam os trabalhadores na agropecuária.

ESTRUTURA FUNDIÁRIA NO ESTADO

De acordo com o censo agropecuário do IBGE de 2006, o mais recente disponível, o Rio Grande do Sul tem de 441,5 mil estabelecimentos agropecuários no Estado, que somam 20,3 milhões de hectares.

O levantamento aponta uma forte concentração da propriedade, pois apenas 0,64% dos produtores rurais detêm 27,2% (mais de um quarto) da área agropecuária total no Estado. São apenas 2,8 mil proprietários, donos de áreas superiores a 1.000 hectares, que detêm um total de 5,5 milhões de hectares.

Quando se soma os 4,5 mil proprietários com terras acima de 500 hectares, chega-se a 7,3 mil produtores donos de 8,6 milhões de hectares. Ou seja: 1,7% dos produtores são donos de 42,3% das terras. O grupo de 50 a menos de 500 hectares tem 48,5 mil produtores (11% dos proprietários), que somam 6,6 milhões de hectares (32,6% da área total).

O grupo de 5 a menos de 50 hectares tem 288,7 mil produtores (65,4% dos proprietários), que somam 4,9 milhões de hectares (24% da área total). O grupo abaixo de 5 hectares tem 90,1 mil produtores (20,4% dos proprietários), que somam apenas 216,4 mil hectares (1,1% da área total). Outros 6,9 mil produtores (1,5% do total) são considerados sem área.


PRODUÇÃO

O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor brasileiro de grãos, com 32,4 milhões de toneladas previstas pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) na safra 2017/18, o equivalente a 14,1% do total do país. Fica atrás do Mato Grosso (61 milhões de toneladas) e Paraná (36,7 milhões).

Soja

O Estado é o terceiro maior produtor de soja, com 17,1 milhões de toneladas em 2017/18, ou 14,5% do total brasileiro. Nas exportações, é o terceiro do país, com 14,7 milhões de toneladas no complexo soja (grão, farelo e óleo de soja) em 2017, segundo o Ministério da Agricultura. O volume correspondeu a 17,5% dos embarques de todo o país.

Milho

O Rio Grande do Sul é o sexto maior produtor, com 4,8 milhões de toneladas em 2017/18, ou 5,7% da safra nacional. As exportações são pequenas, de apenas 299,9 mil toneladas em 2017, porque praticamente toda a produção é usada como matéria-prima para rações de aves e suínos no Estado. Esse volume correspondeu a apenas 1% do total do país no ano.

Trigo

O Estado é o segundo maior produtor nacional, com 1,3 milhão de toneladas em 2018, ou 27% da produção brasileira. Com 617,5 mil toneladas embarcadas em 2017, o Rio Grande do Sul foi responsável por praticamente todas as exportações brasileiras do produto no período, que somaram 617,6 mil toneladas.

Carne Suína

O Rio Grande do Sul, segundo o IBGE, é o terceiro maior produtor de carne suína do Brasil, com 8 milhões de animais abatidos e 725,1 mil toneladas de carne produzidas em 2017, o equivalente a 19% dos totais nacionais. No ano passado o Estado exportou 200,4 mil toneladas de carne suína, ou 29,3% do total vendido pelo país no mercado externo.

Carne de Frango

O Rio Grande do Sul também é o terceiro maior produtor de carne de frango. No ano passado, abateu 848,3 milhões de aves e produziu 1,662 milhão de toneladas, ou 14,5% e 12,2% dos totais nacionais, respectivamente. As exportações de carne de frango do Estado em 2017 totalizaram 743,8 mil toneladas, ou 17,6% do total do Brasil.

Carne Bovina

O Estado é o oitavo maior produtor de carne bovina do país, com 8% de participação em unidades de animais abatidos e volume de carne. Em 2017, o Estado abateu 1,9 milhão de bovinos, ou 6,3% do total do país, e produziu 421 mil toneladas, ou 5,5% do total nacional. O Estado também é o oitavo maior exportador, com 52,2 mil toneladas em 2017, ou 3,5% do total do país.

Prioridades e compromissos:

  •  Crédito e apoio técnico à agricultura camponesa e familiar como prioridade – fim dos incentivos fiscais aos grande grupos econômicos do agronegócio.
  • Luta pela Reforma Agrária no Estado do Rio Grande do Sul.
  • Destinação para Reforma Agrária das terras provenientes de grilagem ou outras irregularidades.
  • Elaboração de legislação que destine para a reforma agrária, sem indenização, as monoculturas que provocam danos ao meio ambiente, como o eucalipto, que consome grande quantidade de água.
  • Alteração no sistema de assistência técnica, extensão rural e pesquisa agropecuária, para atender prioritariamente aos agricultores familiares, e não à grande agricultura de exportação.
  • Promoção de canais alternativos de comercialização dos produtos da agricultura familiar e camponesa, como as feiras livres, de modo a impedir que o atravessador ou o varejista fique com os maiores ganhos provenientes da cadeia de produção agropecuária.
  • Facilitação de crédito para pequenas propriedades familiares que empreguem maior mão-de-obra.