Foto: Leonardo Cardoso/CMPA
Foto: Leonardo Cardoso/CMPA

| Notícias

A falta de planejamento urbano decente e de um plano de habitação popular que inclua as comunidades nas discussões criaram mais um drama na porta de entrada de Porto Alegre. Famílias da Vila Nazaré que não querem deixar a área nas condições de remoção apresentadas pela prefeitura buscam alternativas. Parte delas veio à Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab) para debater medidas mais democráticas para a remoção das pessoas da área de ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

O nosso convite à comunidade para vir até a Câmara Municipal e apresentar seus problemas foi com a intenção de pressionar o Legislativo a dar mais atenção à situação da Nazaré, conhecendo, pelo relato dos próprios moradores, as reais condições em que a retirada dessas pessoas está sendo feita.

A Fraport, empresa alemã que assumiu as operações do Salgado Filho, não compareceu. Então, apresentamos ao representante do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) alguns dos pontos reivindicados pela comunidade e que, apesar da decisão judicial de prosseguir com a retirada das famílias, podem ser colocados em prática com boa vontade da prefeitura. Elencamos o que deve ser priorizado na comissão:

>>> Recolhimento dos entulhos imediatamente depois da remoção.

>>> O trânsito de máquinas pesadas usadas nas remoções tem causado danos às vias da comunidade. É preciso consertar os estragos.

>>> Rever o sorteio pensando nos casos em que famílias estão sendo separadas. A Associação de Moradores da Vila Nazaré e o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) podem apresentar uma lista com essas situações.

>>> Garantia dos vínculos familiares. As famílias não podem ser separadas.

>>> As instalações de água, luz e esgoto devem ser imediatamente estancadas, jamais impedindo o abastecimento da casa subsequente.

>>> Negociação coletiva com os comércios.

>>> Respeito ao período escolar das crianças, garantindo escola a TODAS.

>>> Carroceiros precisam de espaço para trabalhar. Há grupos vulneráveis, em especial mulheres, que não se enquadram nas opções ofertadas.