| Notícias

Um abraço como ato desesperado. Assim terminou uma manhã de protestos em frente à Clínica da Família da Restinga, simbolicamente abraçada por servidores da saúde e lideranças da comunidade nesta quarta-feira (28).

O estopim da indignação se deu na sexta-feira (23), quando agentes comunitários, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos foram surpreendidos pelo anúncio de que a gestão do local ficará nas mãos da Associação Hospitalar Vila Nova a partir de 1º de setembro. Convidado a participar do ato, juntei-me a mais essa luta pela saúde pública de Porto Alegre, que tem sido um alvo recorrente da política de desmonte do governo Marchezan.

A mudança da gestão da clínica foi tomada sem qualquer consulta aos servidores e ao Conselho Municipal de Saúde e deve impactar a vida de pelo menos 40 trabalhadores, já que, entre as poucas informações repassadas pela prefeitura, está a de que haverá remanejamento dos profissionais a outras unidades.

Somente os agentes comunitários têm a certeza de que permanecerão ali. A técnica em enfermagem Gabriela Carvalho integra o grupo daqueles que não fazem ideia de onde vão atuar tão logo a nova gestão assuma e está na luta para se manter no bairro em que organizou a rotina de trabalho e com a família. Se isso não é desrespeito ao servidor municipal que se desdobra para atender a população, não sabemos o que mais poderá ser.

Mas esse é só um dos receios que impulsionam a mobilização. Haverá também consequências para a população, especialmente para os mais de 20 mil cadastrados para atendimento na Clínica da Família. Integrante do Conselho Distrital de Saúde (CDS) da Restinga, Valdemar de Jesus da Silva resume o quadro preocupante que adoece os trabalhadores da Clínica da Família da Restinga:

–  Não sabemos de nada. Será que, com a nova gestão, virão médicos de saúde da família para cá? Hoje atendemos por território, com pessoas cadastradas. Vão abrir atendimento para aqueles casos mais simples que chegam ao hospital por falta de atendimento nas comunidades. E os cadastrados, como ficarão? É o desmonte da atenção primária.

O Sindisaúde-RS está lutando pelo cumprimento da Lei 11.062, que define o Instituto Municipal de Estratégia da Família (Imesf) como responsável pela atenção primária. Nos juntamos a essa luta não só pelo cumprimento da lei, mas também para evitar que a privatização da rede de saúde – proposta evidente do governo – não vingue nem na Restinga, nem em qualquer unidade de saúde da cidade. A saúde pública é um direito!

No ato, levamos nossa solidariedade aos servidores da saúde que atuam na Restinga