beijing_residents_tanks
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Há 30 anos atrás acompanhei, pela televisão, as mobilizações de massas de toda a China, torcendo pelo movimento estudantil de Pequim, vanguarda indiscutível do processo. Era a ocupação da Praça da Paz Celestial. Tratava-se de uma luta democrática mas com conteúdo politico coletivista, igualitarista, não capitalista nem imperialista. Os estudantes perderam. O capitalismo de estado se impôs. 

É claro que se a China hoje é um país cujo PIB pode logo competir com o dos EUA, sendo a segunda potencia mundial, isso se deve não apenas a exploração da força de trabalho chinesa, mas também, e sobretudo, a concentração de riquezas nas mãos de um estado que planificou o desenvolvimento econômico, feito viabilizado pela revolução socialista de 1949. 

Mas em 1989 se abriu uma janela para se conquistar um regime socialista autêntico, uma democracia socialista. A janela se abriu por pouco tempo e uma pequena fresta indicava está hipótese. Mas ela foi fechada bruscamente. Com repressão. Com sangue. Com os métodos da burocracia e do stalinismo. 

A derrota do movimento estudantil chinês veio acompanhada, meses depois, por levantes no mundo do chamado leste europeu e na então União Soviética. Mas a consciência democrática já estava dissociada do conteúdo igualitarista em países como Alemanha, Hungria, Romênia, República Tcheca e nos países da ex-URSS. Derrotas anteriores, tentativas de revoltas políticas derrotadas por burocracias corruptas e violentas nestes países, da mesma forma que foi derrotada a primavera de Pequim, já haviam feito o serviço nefasto de produzir o divórcio entre a luta por liberdades democráticas e o igualitarismo, como se fosse possível verdadeiramente um sem o outro. Este atraso histórico na consciência de milhões produziu patologias sociais para as quais estamos tratando de encontrar soluções. Assim, estamos ainda pagando caro pelos efeitos do stalinismo em todas as suas variantes.