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Via de regra, os governantes, ao invés de garantirem investimento e boa gestão das estatais e dos serviços públicos, estão atuando para desmontá-los e privatizá-los. Nos governos neoliberais, como o do prefeito Marchezan, tal tendência se agrava. A justificativa dificilmente deixa de escorregar no chavão neoliberal de “o Estado tem de se preocupar com os serviços essenciais”. Vejam só, em Porto Alegre, a sanha de privatizar já chega à saúde. Não seria a saúde um serviço essencial? Um dos alvos, depois de postos de saúde, é o HPS, uma referência em Porto Alegre.

O governo Marchezan quer terceirizar a gestão do HPS. Será que para garantir a “qualidade” que, dentro do próprio hospital, já se mostrou questionável? Terceirizadas atrasaram salários de profissionais que atuam na nutrição e na limpeza do hospital, gerando paralisação dos serviços no começo do ano. Atualmente, os porteiros do hospital aguardam vencimentos que há meses deveriam ter sido pagos. Na Procuradoria Regional do Trabalho, enfileiram-se processos de terceirizadas que lesam o ente público. Os donos dificilmente são presos, porque abrem CNPJs distintos, criam uma infinidade de empresas e voltam a sugar o dinheiro público.

O governo Marchezan, antes de se empenhar em projetos para terceirizar a saúde, deveria explicar por que a prefeitura segue entregando recursos para empresas que comprovadamente se envolveram em denúncias de corrupção, como a Belém Ambiental, do recolhimento de lixo. Com um esquema fraudulento descoberto pelo delegado Max Ritter e noticiado pelo GDI deste jornal, essa empresa adicionava caliça ao lixo para faturar mais.

Terceirizar não garante melhorias, tampouco economia. Há mais gastos em médio prazo e muita corrupção, como se viu no caso Gamp, acusado de ter deixado um rombo de pelo menos R$ 40 milhões em Canoas. Sem contar a queda na qualidade de insumos e dos profissionais contratados. Terceirizar é o pior remédio que se pode dar à saúde pública.

Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora em 14 de maio;