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Mesmo do ponto de vista dos capitalistas, seus ideólogos e sua mídia, o governo Bolsonaro, em particular o próprio, aparecem com comportamentos desastrosos, trapalhadas nas decisões e adotando posições irracionais. Mas há uma racionalidade, do ponto de vista de quem pretende defender o regime do grande capital, no discurso do presidente, qual seja: o combate ao comunismo.

Contra o discurso dos liberais e dos reformistas do capitalismo, o presidente da república burguesa do Brasil parte da ideia de que o comunismo existe e é uma ameaça.

Sabe-se que a morte do comunismo foi definitivamente anunciada com a queda do muro de Berlim. A experiência da Venezuela viria confirmar o enterro do projeto, mesmo que, no país vizinho, a burguesia jamais tenha sido expropriada. De fato, foram derrotas imensas que liquidaram os processos revolucionários que eclodiram no seculo XX.

Então, como pode ter racionalidade a ideia de sua existência? Pois é. Mas, contra o regime do capital, de fato assim é. Afinal, o comunismo é em, primeiro lugar, o movimento de negação do capitalismo. A existência do capital promove o surgimento de seu contrário. Não se trata, portanto, do comunismo que ficou conhecido nas experiências trágicas do stalinismo. O que segue como possibilidade de desenvolvimento são as ideias mais genuínas de Marx: a luta pelo que é comum, a socialização da riqueza, a igualdade real, o internacionalismo, a emancipação dos trabalhadores. As possibilidades que podem ressurgir são os princípios de Marx, expressos naquele brilhante Manifesto de 1848, cujo começo anuncia que “um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo”.

Quando um movimento estudantil entra em cena, como começa agora no Brasil, estas ideias ganham mais corpo. Um corpo que apenas engatinha, mas o tempo, chamado senhor da razão, não é linear. Há marchas, contramarchas, acelerações repentinas, rupturas bruscas. É claro que Bolsonaro vê comunismo em tudo, até onde não tem. Mas estes são os efeitos do medo quando se percebe a presença do espectro.